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Estrutura antes do conforto do líder

2026-07-08 · 4 min

Estrutura antes do conforto do líder

O maior erro que as empresas cometem na hora de montar uma equipe é permitir que líderes estruturem seus times do jeito mais confortável para eles.

O mais importante não é ajustar o negócio ao líder e sim considerar o que a empresa realmente precisa.

Se engana quem pensa que esse erro é exclusivo de pequenas empresas. Já vi acontecer em negócios que faturam centenas de milhões. Exemplos não faltam:

  • Líder que prioriza time com perfil de expansão, quando a empresa precisa de eficiência.
  • Negócio em fase de crescimento, com pessoas que reforçam a cultura de comando e controle.

Ao assumir um novo desafio, é importante gastar sola de sapato entendendo a estratégia da empresa. Crescimento orgânico ou por M&A? Busca de margem ou inovação?

Cada resposta aponta para um tipo de estrutura, um tipo de líder e até um tipo de linguagem.

E a leitura não para aí.

O time precisa conversar com a estratégia e a cultura

No G4, por exemplo, quando entrei, o desafio em curso era revisar a estratégia da empresa.

Resumindo muito um trabalho incrível: mapeamos onde estávamos, onde queríamos chegar em três a cinco anos, e quais decisões sustentariam esse salto.

Uma das conclusões mudou a empresa: o G4 deixaria de ser uma empresa de educação pura e se tornaria o G4 Negócios, com serviços via parcerias e soluções in house, evolução da esteira de produtos educacionais e novas soluções de comunidade.

Depois disso, veio o diagnóstico cultural, para entender o que era inegociável, o que precisava ser reforçado, deixado de lado ou criado.

E só então, com estratégia e cultura desejada nas mãos, chegamos à estrutura: novas áreas, posições executivas que exigiram hunting no mercado, pessoas realocadas, lideranças que mudaram de lugar.

Em nenhum momento o ponto de partida foi o que seria mais confortável para quem liderava cada área — porque não adianta desenhar o time ideal no papel. Ele precisa fazer sentido na prática e conversar com a estratégia desejada e a cultura real da empresa.

Antes de contratar, estude e escute

Nada substitui conversas sinceras com quem está em campo. Entender o que é inegociável, o que está em transição e o que precisa ser deixado para trás.

Aliás, esse é um dos pontos mais valiosos do livro Os Primeiros 90 Dias, que sempre recomendo para qualquer executivo.

A melhor estrutura não é a mais bonita. É a mais coerente com a estratégia, com a cultura e com o momento da empresa.


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